Tragédias recentes reacenderam o debate sobre segurança em piscinas e falhas de projeto hidráulico no Brasil.
Nas últimas semanas, dois acidentes em piscinas ganharam repercussão nacional: uma família morreu eletrocutada dentro de uma piscina e, pouco depois, uma criança de 11 anos perdeu a vida após ter o cabelo sugado pelo sistema de sucção.
Esses casos não são acidentes aleatórios. Eles são consequência direta de negligência técnica e ausência de projeto de piscina.
A nova lei que tenta resolver o problema errado

Após esses episódios, a Prefeitura de Campinas criou uma lei que proíbe o funcionamento da sucção da piscina enquanto houver banhistas.
Na prática, essa medida inviabiliza:
- filtragem
- aquecimento
- hidromassagem
- o funcionamento de cascatas
A intenção pode até ser positiva, mas tecnicamente essa solução não ataca a causa do problema. Proibir o uso da sucção não torna uma piscina segura, apenas mascara falhas graves de projeto.
O que realmente causa acidentes em piscinas
O fator comum na maioria das tragédias é simples: Piscinas sem projeto hidráulico adequado e fora das normas técnicas.
Não foi a bomba.
Não foi a sucção.
É como o sistema foi projetado e executado.
Piscinas improvisadas, mal executadas ou adaptadas sem critério técnico representam um risco real à vida.
Requisitos técnicos que tornam uma piscina segura

Uma piscina segura precisa, no mínimo:
- Dois ralos de fundo interligados
- Distância mínima de 1,5 m entre os ralos
- Grelhas antiaprisionamento certificadas
- Nichos normativos
- Botoeiras de emergência
- Tampas automáticas no bocal de aspiração
Quando esses critérios são seguidos, o risco de aprisionamento cai drasticamente — sem necessidade de desligar sistemas.
O que deveria virar lei no Brasil
Em vez de proibir equipamentos, defendemos medidas estruturais:
1. Projeto obrigatório para liberação do alvará: Nenhuma piscina nova deveria ser construída sem projeto aprovado.
2. Fiscalização de piscinas existentes: Piscinas fora da norma devem ser notificadas e regularizadas.
3. Qualificação de quem constrói: Quem executa piscinas deve comprovar conhecimento técnico e normativo.
Piscina não é improviso.
Piscina é engenharia.
Conclusão
Enquanto insistirmos em soluções superficiais, novas tragédias continuarão acontecendo.
O caminho é claro:
✔ projeto
✔ norma
✔ responsabilidade técnica
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Porque desligar a bomba não salva vidas.
Projeto salva.